paper towns - review

"Na minha opinião, toda a gente tem direito a um milagre.". Assim começa Cidades de Papel (2008), de John Green. Já vos falei de...

"Na minha opinião, toda a gente tem direito a um milagre.". Assim começa Cidades de Papel (2008), de John Green. Já vos falei de À Procura de Alaska e do facto de ser uma fã assumida do americano que conquista leitores desde o seu primeiro grande sucesso, aquele cujo nome toda a gente sabe. Para vos ser honesta, arrependo-me apenas de ter começado a ler John Green só depois de ler A Culpa é das Estrelas. 

A verdade é que, à semelhança de Alaska - como carinhosamente gosto de tratar a obra -, Cidades de Papel é um livro genial. A ideia principal é fantástica: o desaparecimento de uma rapariga que vivia presa nas garras da popularidade do ensino secundário e as consequentes pistas que levaram a sua única verdadeira amiga, o rapaz que a ama e os amigos deste a encontrá-la. Ups, spoiler.

Antes de me alongar muito na história e de dar mais spoilers, queria explicar-vos o significado, ou o que eu entendi, de cidades de papel. Afinal, não é como se se tratasse de uma maqueta de caixas de cereais, papel de cozinha e cola branca. Cidades de papel é apresentado no sentido metáforico para, no que eu entendi, cidades que já deram o que tinham a dar. Cidades que são aquilo que são e ponto. No livro, cidades de papel é apresentado no contexto de pseudo-urbanizações, ou seja, urbanizações cuja construção fora abandonada e no sentido literal, ou seja, como uma cidade que só existe no papel.

Agora a história: Margo Roth Spiegelman, e sim, tive que ir verificar a ortografia ao livro, é a tal rapariga que está presa nas garras da popularidade do secundário, embora tenha um enorme portfólio de aventuras fantásticas. Porquê? Porque Margo era fascinada por planear viagens e desaparecer para as realizar, deixando para trás pistas que diriam, ou não, o sítio onde se encontrava. Com Margo, contracena Quentin Jacobsen. Q, como é referido em quase todo o livro, mora ao lardo de Margo e é apaixonado por ela desde pequenos. No entanto, com o decorrer do tempo e com a transformação de Margo na rapariga adorada do secundário e de Q no rapaz da sala da banda é evidente que estes acabam por se separar, parecendo completamente desconhecidos.

Certa noite, cerca de um mês antes da formatura, Margo Roth Spiegelman bate à janela do quarto de Quentin, toda vestida de preto e com tinta facial preta em todo o rosto, deixando apenas a descoberto os seus olhos - azuis, diga-se de passagem. Nessa noite, Margo e Q cumprem as onze partes de uma pseudo-lista-de-tarefas que permitiria a Margo vingar-se de umas quantas pessoas, agradecer a outras e, no fim de tudo, divertir-se com Q e mostrar ao rapaz uma faceta de si mesmo que ele próprio desconhecia. A parte empolgante da ação vem na manhã seguinte, quando Margo desaparece, desta vez sem deixar qualquer pista aparente. Resta agora a Quentin e a algumas outras pessoas que se preocupam com Margo, tentar encontrá-la, tarefa essa que se revela bastante difícil.

Tal como nos restantes livros de Green, a descrição das personagens é bastante rápida, dando-nos liberdade para as imaginarmos como bem quisermos. O livro está muito bem conseguido e envolve-nos totalmente nas viagens de Margo, Quentin, Lacey, Radar e Ben. Tem aquele toque misterioso que já é um hábito nos livros deste autor que se junta ainda a um conjunto de reflexões fantásticas que as personagens, mais propriamente Q, têm sobre si mesmas e sobre as outras. Posso ainda dizer-vos que, enquanto tentam descobrir a localização de Margo, Lacey, Radar, Ben e Q acabam por descobrir-se a si próprios e por descobrir uma Margo que não a Margo Roth Spiegelman a que tanto estavam habituados. É sem dúvida um livro que vale a pena ler. Foi-me oferecido no Natal, como uma prenda de mim e para mim e acreditem que não podia estar mais satisfeita.

Em relação ao filme, confesso que não vi o trailler ainda, pois estava à espera de acabar o livro primeiro. Posso, no entanto, dar-vos a minha opinião acerca dos atores escolhidos para desempenhar as personagens principais e sobre o cartaz do filme. O ator escolhido para Quentin foi o Nat Wolff, que fez de Isaac em A Culpa É das Estrelas, e posso dizer-vos que não estou assim muito satisfeita com a escolha. Enquanto li o livro, o "meu" Q tinha o cabelo maior, com alguns caracóis selvagens e, não sei, não se parecia nada com o Nat Wolff. Para Margo Roth Spiegelman escolheram a Cara Develingne, que também não é igual à "minha" Margo, mas que serve perfeitamente.

Em relação ao cartaz, acho que não faz jus ao filme. Está muito pouco elaborado e o pseudo-slogan "Às vezes é preciso perder para encontrar" não me parece apropriado, por mais que tenha sido preciso Q perder, fisicamente, Margo, para encontrar a verdadeira Margo e para se encontrar a si próprio. Acho que uma das frases do livro se adequaria muito melhor: vais às cidades de papel e nunca mais voltas

E vocês? O que acharam do livro? Já viram o trailler? Tinham-me pedido para fazer uma review deste livro e ela aqui está. Há mais algum livro cuja review gostariam de ler? Não se esqueçam de deixar também a vossa opinião, porque isso é importante e uma miúda gosta disso. Deixo-vos com uma foto do grupo completo e não se esqueçam de ficar atentos ao blog, pois estou a pensar dedicar-me a ele no que me resta das férias da páscoa.


Da esquerda para a direita - Radar, Ben, Quentin, Angela, Lacey e Margo.

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