5 MULHERES DAS QUAIS TEMOS QUE FALAR

Assinalar o dia da mulher é, e será sempre, um sinal de que as desigualdades ainda estão presentes na nossa sociedade. Este é o nosso lembr...

Assinalar o dia da mulher é, e será sempre, um sinal de que as desigualdades ainda estão presentes na nossa sociedade. Este é o nosso lembrete, um fardo que devemos carregar enquanto o desequilíbrio persistir, como uma lembrança constante de anos e anos de diminuição do sexo feminino e de uma igualdade de géneros que não passa de uma utopia. Hoje, trago-vos cinco mulheres que caíram no esquecimento e das quais devemos falar, relembrando-as e a forma como mudaram o mundo!


1. ROSALIND FRANKLIN
Rosalind Franklin nasceu em Londres, em 1920, e morreu na mesma cidade, trinta e oito anos depois; podia ter morrido com a distinção de uma das cientistas mais importantes da História, mas, atualmente, é apenas caracterizada como uma biofísica britânica. Franklin foi, contudo, muito mais que isso. A descoberta da dupla-hélix na estrutura do ADN é atribuída a Francis Crick e a James Watson, mas nunca teria sido possível se não fosse por Rosalind Franklin, formada pela universidade de Cambridge e especialista em cristalografia de raio-x. Foram essas suas capacidades excecionais na cristalografia que lhe permitiram capturar uma imagem clara e concisa do ADN. Essa imagem foi-lhe depois retirada, sem autorização, por Maurice Wilkins, que, juntamente com Crick e Watson, ganhou, em 1958, um prémio Nobel. No mesmo ano, Rosalind falecia, vítima de um cancro nos ovários, com pouco ou nenhum reconhecimento do seu trabalho.

2. AMELIA BLOOMER
Uma revolucionária no que diz respeito ao jornalismo e ao vestuário, Amelia Bloomer nasceu em Nova Iorque, em 1818, e faleceu em 1894, no Iowa. Foi ativista pelos direitos das mulheres, jornalista, editora e designer de moda e as bloomers, uma espécie de ceroulas que ficam pelo joelho, foram nomeadas em sua honra. Foi quando casou com Dexter Bloomer, editor e sócio de um jornal local em Seneca Falls que Amelia desenvolveu a sua vida social, tornando-se um membro ativo da sua comunidade. Amelia foi incentivada pelo marido a escrever para o seu jornal, tendo então começado por escrever sobre problemas da sociedade. Mais tarde, criou o seu próprio jornal, onde abordava assuntos referentes aos direitos das mulheres. Além disso, advogou também uma reforma no vestuário das mulheres, sugerindo que estas largassem os corpetes e os saiotes, substituindo-os por camisolas mais largas e saias que parassem nos joelhos, com um par de bloomers por baixo. Rapidamente a sua iniciativa se espalhou e começaram a chegar-lhe cartas com várias questões. É-lhe ainda atribuída a conquista do voto para as mulheres no Ohio, em 1873. Faleceu depois em 1894, deixando para trás um legado muito importante.

3. BEULAH HENRY
Beulah Henry nasceu na Carolina do Norte, em 1887, e morreu em 1973. Teria sido uma superestrela, caso tivesse nascido na altura de Edison, em que as invenções estavam na ribalta! Embora o seu nome não seja muito falado, chegou a ser tratada por Lady Edison, devido ao seu talentoso génio inventivo. À semelhança do seu colega de profissão, Beulah não tinha exatamente os recursos e ferramentas necessários, mas isso não a impediu de deixar para trás um legado fantástico. Registou 49 patentes diferentes e criou mais de 100 invenções, para além de que melhorou ainda algumas das coisas que faziam parte do quotidiano da época, como a máquina de escrever ou a máquina de costura. Das suas criações, destacam-se o abre-latas, o encaracolador de cabelos, esponjas com um espaço especial para guardar o sabão e chapéus de chuva em que podíamos mudar o tecido e os seus padrões, à nossa livre vontade. Em 2006, trinta e três anos após a sua morte, o seu nome juntou-se a muitos outros no National Inventors Hall of Fame.

4. ZELDA FITZGERALD
O nome do marido correu o mundo e é, até hoje, considerado uma das grandes figuras da literatura! O dela, nem por isso... Zelda Fitzgerald nasceu em 1900, no Alabama, e morreu aos quarenta e oito anos na Carolina do Norte. Foi romancista, contista, poetisa, dançarina, pintora, socialite e a inspiração por detrás da personagem principal do jogo The Legend of Zelda, da Nintendo; o seu marido apelidava-a de "primeira melindrosa americana" e é, por muitos, considerada a sua musa. O que muitos não sabem, contudo, é que Zelda foi não só a musa de Fitzgerald, como também a mente por detrás de algumas das suas frases mais icónicas. O autor de The Great Gatsby tinha por hábito estudar os seus próprios amigos, usando-os como base para a construção das suas personagens, explorando os seus defeitos e qualidades e chegando até a pedir a alguns deles para repetir algumas frases, para que ele as pudesse apontar.  Em 1922, acerca do seu romance The Beautiful and Damned, Zelda afirmou que "o plágio começa em casa", e a verdade é que algumas das frases que F. Scott Fitzgerald usa nas suas obras foram retiradas do diário da sua mulher, cujas obras nunca fizeram tanto sucesso quanto as dele. Zelda acabou por falecer em 1948, num incêndio que houve no asilo em que foi internada, devido à sua ansiedade e às vozes que ouvia.

5. MARY McLEOD BETHUNE
Mary McLeod Bethune foi educadora, filantropa e ativista pelos direitos civis. Nasceu em 1875, na Carolina do Sul, e faleceu em 1955, na Florida. Há, contudo, muito mais pelo qual se destaca e sobre o qual devíamos estar a falar! Bethune tinha cinco anos quando começou a trabalhar com os pais, que haviam sido escravos, no campo e desde cedo lhe interessou o tópico da educação; acabou por terminar a universidade, com esperança de se tornar missionária em África, mas a vida levou-a por caminhos diferentes. No início do século XX, abriu uma escola para afro-americanas, na Florida; mais tarde, transformou-se num instituto privado, para raparigas e rapazes, conhecido como Bethune-Cookman. Isto ajudou-a a fazer parte do Black Cabinet do presidente Franklin D. Roosevelt, uma posição que fez com que Mary se tornasse a primeira mulher negra a ter um lugar no governo americano e que lhe permitiu lutar ainda mais pelos direitos civis e por uma educação melhor. Mais tarde, foi presidente da Associação Nacional de Mulheres de Cor, tendo trabalhado incansavelmente, para resolver os problemas que as mulheres afro-americanas enfrentavam. A sua casa, em Washington, foi, mais tarde, designada um ponto de referência histórico do país e foi erguida em sua honra um memorial, no Lincoln Park, também em Washington. É ainda esperado que, este ano, seja ela o tema de uma das estátuas do National Statuary Hall Collection, na Florida. 

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6 comentários

  1. Já tinha tantas saudades de passar pelo teu blog :D Vou ser sincera, não conhecias, mas deu para aprender :b

    Beijinhos,
    DEZASSETE

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    1. É bom estar de volta, principalmente se estar de volta significa trazer coisas novas! Obrigada pela visita e pelo comentário, querida Daniela.

      Um beijinho!

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  2. Adoro a Zelda. Comprei o livro dela há uns meses - acho um exemplo incrível de como uma mulher pode ficar ofuscada por um homem com o qual se relacionava. Quero ler rapidamente. Btw, não conhecia a expressão "melindrosa" - não sabia que flapper tinha tradução!

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    1. É mesmo um exemplo fantástico disso, infelizmente... Espero que voltes a passar por cá para me falares desse livro! Obrigada pela visita e pelo comentário.

      Um beijinho!

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    2. Mesmo que me esqueça de cá voltar na altura, hei de falar no livro no meu blog, quando lá chegar :) beijinhos!

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