Não sei se já vos tinha dito, e se não, aproveito para dizer agora, mas um dos desafios que abracei com o início do secundário foi aprender alemão! Para os mais curiosos, acrescento que está a ser muito giro e, felizmente, mais fácil do que parece! Foi no âmbito de uma aula que tive contacto com o filme Good Bye, Lenin! e é sobre ele que vou falar hoje.
Imaginem-se na Alemanha, no ano de 1989 - o icónico ano da queda do muro de Berlim. Imaginem-se na Alemanha, no ano de 1989, do lado oriental do muro: o lado comunista.
As personagens principais deste filme são Catherine Kerner e o seu filho, Alex - interpretados por Kathryn Sass e David Brühl. Catherine, Alex e Ariane, a irmã de Alex, vivem do lado oriental do muro, sendo a matriarca da família uma grande apoiante do regime.
O filme começa exatamente no dia 7 de outubro de 1989, com a manifestação que pouco tempo depois derrubou o muro. Alex estava nessa manifestação, acabando por ser detido perante os olhos da sua mãe, que, ao vê-lo protestar contra o regime que ela tanto apoiava, tem um enfarte quase fatal, ficando em coma durante oito meses.
No entanto, e como bem sabem, o muro de Berlim foi derrubado a 9 de novembro do mesmo ano, estando Catherine em coma não só durante a queda, mas também durante os vários meses de mudança em que o sistema capitalista se espalhou pelo país. Quando a mãe desperta, Alex quer preservá-la do choque e leva-a diretamente para o apartamento onde viviam, cuidadosamente decorado para que nada parecesse ter mudado. O filme desenrola-se assim à volta de Alex e do seu esforço para proteger a mãe, que ele considerava "casada com a pátria socialista", do sistema capitalista e da cultura do consumo, criando uma outra versão da história.
Good Bye, Lenin! é um filme que preza pela originalidade; inspirado na História alemã, mostra não só a realidade da queda do muro de Berlim, como as mudanças ocorridas e o choque que era para aqueles que apoiavam o regime. Aliado a isso, estão situações que facilmente provocam o riso e tornam o filme mais leve e menos histórico. Uma longa metragem que é, acima de tudo, interessante e que nos prende ao ecrã durante todo o tempo de filme. Além disso, trata ainda de assuntos como a divisão de famílias, provocada pelo muro, e as consequências que isso tem futuramente.
Sem dúvida alguma, um filme a ver não só pelo seu contexto histórico e cultural, mas também pela fantástica história que nos é apresentada e pela qualidade inegável que tem, proporcionando-nos um momento de lazer e, simultaneamente, de cultura e aprendizagem. Ganha ainda por nos colocar na pele de Alex Kerner e nos fazer pensar o que faríamos na sua situação, afinal o que faríamos nós se a nossa mãe, grande apoiante do regime socialista, estivesse em coma durante oito meses e esses oito meses tivessem sido suficientes para mudar tudo aquilo que ela sempre conheceu e amou? Vejam o filme e descubram as originais, e às vezes até hilariantes, soluções que Alex encontra para dar à sua mãe o país em que ela sempre quis viver!


